quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Crimes eleitorais acirram disputa no interior do Ceará

Intimidação, ameaças e compra de votos são os crimes eleitorais mais denunciados, segundo o coordenador do Centro de Apoio Operacional Eleitoral (Caopel), promotor público Raimundo Neto. Ele explicou que a antecipação do reforço policial, que abrange 30 cidades, se deveu ao clima de intranquilidade, envolvendo o acirramento de grupos políticos rivais.

Na sua opinião, já se pode avaliar que as eleições deste ano despontam para uma atenção maior da segurança pública, quando comparadas a períodos de pleitos anteriores. "São inúmeras as denúncias que têm chegado ao Coapel das naturezas mais diversas", disse.

"Em alguns casos, há uma diversificação de atividades, que precisam de investigação aprofundada", disse o promotor. Ele exemplificou os casos de compra de voto, onde já foram verificados indicadores fortes em Trairi e Cariús, ensejando uma ação policial ostensiva, por meio de prisões e mandatos de busca.

Com isso, todos os Municípios cearenses contarão com reforço policial para as eleições do próximo dia 7. As cidades onde há mais tensões e denúncias de crimes eleitorais receberão efetivos de policiais militares, civis e federais, não descartando, inclusive, a presença da Força Nacional de Segurança.

Apesar da divulgação do reforço policial para algumas cidades, o esquema de segurança somente deverá ser anunciado na próxima sexta-feira. Desde já, há antecipação de reforço policial em 30 Municípios, desde a segunda-feira passada, e a participação da Polícia Federal com 22 equipes, em localidades que ainda não foram divulgadas pela superintendência.

Força Nacional

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), desembargador Ademar Mendes Bezerra, disse, ontem, que há uma normalidade política no Estado, mas não se descarta a possibilidade da presença da Força Nacional de Segurança em áreas mais sensíveis. No entanto, ele explicou que todos os casos deverão ser avaliados para que se recorra a forças federais.

"De acordo com a decisão da presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Carmen Lúcia Antunes Rocha, a segurança no Estado é da competência da Polícia Militar. Afinal, seria uma grande desmoralização para os governantes não poderem garantir a segurança nos Municípios durante as eleições", disse Ademar Bezerra.

No entanto, lembrou que há também uma ressalva da ministra Carmen Lúcia de garantir forças federais, que estarão de prontidão para as áreas mais críticas, com relação a perturbação da ordem e práticas eleitorais criminosas. "É natural que cada juiz queira toda a segurança possível. Mas, devemos avaliar onde se faz mais necessário", disse Ademar Bezerra.

Dentre os casos que têm chamado a atenção do Tribunal, estão Morada Nova e Tabuleiro do Norte, em que os juízes eleitorais relataram ocorrências de desobediência à determinação judicial, além de incitamento da população contra policiais. Esse foi o caso de Morada Nova, que envolveu, inclusive um delegado de polícia que também tem pretensões políticas na região.

A coordenação dos trabalhos da Polícia Federal ficará a cargo do delegado Janderlyer Gomes, à frente das 22 bases localizadas no interior do Estado.

A previsão é que o esquema funcione a partir da segunda-feira anterior ao pleito, em harmonia com os juízes das zonas eleitorais, para o atendimento das possíveis ocorrências verificadas nas localidades.

A Polícia Federal manterá também um delegado nas dependências do TRE, junto ao juiz auxiliar da Corregedoria Regional Eleitoral, Cléber de Castro Cruz, que ficará responsável por atender às demandas dos juízes eleitorais, em todo o Estado, comunicando à PF com rapidez as ocorrências durante as eleições.

O superintendente regional da PF, delegado Sandro Caron, disse no dia 15 passado, que o planejamento já foi amplamente discutido com o procurador regional eleitoral, Márcio Torres. A greve que atinge a instituição não deverá afetar a mobilização dos efetivos.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

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